quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Untitled

Minha razão não lúdica suspira pensamentos presos/ brisas leves aleatórias/ traços neurais pulsantes/ Meu espaço está aberto entre dedos e dentes/ esperando carne quente para acolher os ossos/ Transmiti o mal como quem goza de prazer/ sem pudor e de olhos fechados/ esperando pelo cigarro derradeiro para marcar a fogo e ferro/ Explorei a luxúria como quem domina touro bravo/ não foram oito, mas sim eternos segundos dopado de adrenalina/ me senti no leme do mundo.

Meu intestino embrulha, repulsa, remexe e grita com doses exageradas dos goles de lama e ló/ Sinto fome do branco/ Me vendo ao verde/ Me atiro aos pombos/ Invado varais de roupas alvas e depois repouso no teu peito/ Acordo num deserto de nuvens/ em cima está a terra/ embaixo o céu/ no meio eu, a insanidade em pessoa, despido de emoções/ Sem preconceitos e preceitos.

A giz, caravelas de formigas em alto mar/ a bordo de suas folhas/ Água por todos os lados/ sem nadar contra a maré/ deixando levar seus ovos/ Morrendo pela decepção de ver seu império desmoronar/ Com patas cansadas demais para correr/ Apáticos bastante para deixar morrer e achar que a falta de sono é apenas insônia/ Apenas insônia/ Insônia apenas.
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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Irritabilidade Emocional

sábado, 17 de outubro de 2009

Sombra de Ti

debes saber
que hay pedazos de tu boca sin querer
regados por aquí
y que tropiezo cada día sin pensar
con un viejo recuerdo más
y alguna nueva historia gris
si no puedo estar contigo
ya no puedo estar sin ti
cada vez se hace más duro ser feliz

me sigue rodeando
la sombra de ti
y siguen rodando por ahí
todas las palabras que dijimos
y los besos que nos dimos
como siempre
hoy estoy
pensando en ti
.

Realmente de ontem para hoje tropecei num monte de lembranças sem querer. Lembrei de coisas que eu tinha deixado no lugar mais alto da prateleira. Mas não há jeito, porque uma hora tudo volta de uma vez só. Com a intensidade de um parto, de um grito de morte, de tudo que tem de mais forte nesse mundo. Começou com Love In The Afternoon... fui lá atrás e voltei rapidinho... Nem tão rápido, na verdade... Fiquei remoendo pratos vazios, lambendo as sobras, catando os restos... até que secou, que eu sequei. Odeio quando bate essa nostalgia que eu insisto em bater no peito e dizer: "Eu não!". Não sou mais disso... De fato não sou mais mesmo. Só acontece nos momentos de fragilidade, quietude e confinamento. Na hora que soa o "Eu continuo aqui... Com meu trabalho e meus amigos... E me lembro de você em dias assim... Um dia de chuva, dias de sol. E o que sinto não sei dizer". Datas passadas, muito passadas eu ainda nem trabalhava, nem sabia o que fazer da vida e hoje eu realmente trabalho. Então ouvir esse trecho nos dias de hoje para mim bate mais certeiro do que qualquer outra coisa. É como se agora a versão batesse mais verdadeira ainda. Para me lembrar que as coisas passam nesse coraçãozinho e não morrem... Porque eu não sou de matar nada. Não mato nada que sirva para lembrar o que eu fui e porque estou assim, eu sou, né.

Em momentos como esses me bate aquele famoso desespero. Não existe hora agora, nem certo e errado. A única coisa certa é o que eu quero fazer, que é sair e procurar tudo aquilo para juntar, grudar embaixo da minha asa e ver que eles ainda são eles e que eu também ainda estou por aqui. Eu sinto que se até o ano que vem não realizar as coisas que são prioridades para mim... Sinto que senão conseguir fazer... vou acabar secando por dentro, sabe? Vou apodrecer por dentro e não vai existir canção que cure, abraço que conforte ou o "caralho-a-quatro". Sabe também quando você sabe o que é o certo a fazer. Quando você tem de deixar a pessoa livre para que ela possa ser feliz sem a sua intervenção, sem você alimentar uma coisa que não existe... Mas aí por outro lado você não consegue porque essa é a sua colinha, é o "eu também sinto sua falta" que vai lhe voltar quando você estiver precisando ouvir isso. Eu não quero me dar falsas esperanças, não. E nem quero ser injusto ou filho da puta com uma pessoa que não merece. Mas até o final do ano eu não sei o que vou fazer... Talvez eu alimente mais os pombos, talvez eu me tranque de uma vez e deixe o outro seguir o próprio caminho... Mesmo que para isso eu tenha que cravar um machado no peito do outro.

De uma das únicas certezas que eu tenho sobre tudo é que meus posts nunca vão mudar. Com o tempo poderão ficar mais aprimorados, mas o assunto sempre vai ser o mesmo. Eu vou sempre entrar aqui para contar como eu me sinto sobre as mesmas coisas, como cometo os mesmos erros e como ainda acredito nos mesmos heróis que nunca vão me salvar. E eu sinto tanta falta de algumas coisas, sabe? O bom de quando eu era adolescente é que coragem nunca me faltava... Coragem e força, duas virtudes que eu sabia administrar muito bem. Mas é que tanta coisa matou uma parte do André, sabe? Com o tempo eu passei a ser o Handreh. Algumas pessoas que eu conheço só conhecem também uma parte de mim. Eu prefiro ser a piada do que ser eu mesmo. Isso não sei explicar direito. Não é bem ser a piada, mas é ser a pessoa... Nem sei... É meio que uma personagem, como se eu me agarrasse a uma coisa naquela hora, naquele lugar, que... Que? Não sei explicar.

E para finalizar... Ainda é difícil para mim controlar meus dedos. É difícil focar em outra coisa que não seja discar tal número só para ouvir uma voz e com aquele fio de esperança... Uma esperança de que ainda há jeito. De que aquele peito ainda incendeia pela minha falta, que vai ficar tudo bem. Que eu vou ter mais uma vez conversas durante a madrugada. Conversas longas e sinceras com choro e sorrisos... Abraços e beijos e aquela coisa do "eu sei como é isso... Vai ficar tudo bem". Eu sinto falta desse suporte... Daqueles braços, dos apelidinhos, dos beijinhos "escorregadios", da cama, do cheiro do quarto, do perfume, das saídas no carro para lugar nenhum. Sinto falta de ser o seu "Curubinha". E em horas como essas eu vejo que o caminho que eu sigo (e vou sempre seguir) está entre o céu e o inferno. Mais no inferno, devo confessar. Às vezes é tão difícil ligar o botão do foda-se e seguir aquilo que você sente... Que você sente não, que você é! Às vezes eu me canso... Nunca me arrependi por tal decisão, mas de vez em quando me bate uma canseira incrível. Como se fosse o fim mesmo.

Tenho evitado as saídas porque nem sempre quero ver aquelas pessoas com quem eu me sinto tão bem. Às vezes não me sinto disposto a ouvir o que o outro tem a dizer, a tentar ajudar em tal problema. Eu não quero mais isso para mim, não. E por essa razão tenho preferido ficar no meu fumaceiro com minhas séries água com açúcar. Tenho tido preguiça para ficar olho no olho, para ouvir, para dialogar. Eu só quero falar de mim, só quero fazer os programas que tenho em mente. Só quero aquelas pessoas que eu pensar na hora e sem mais ninguém. Não quero compartilhar. "Lembro das tardes que passamos juntos. Não é sempre, mas eu sei que você está bem agora... Só que nesse ano o verão acabou... Cedo demais!", tocou esse trecho agora. Eu fico querendo sair, mas aí eu não sei para qual lugar ir e penso nas pessoas que talvez pudessem ir comigo. As que eu quero, mas aí também me dá preguiça de chamar... Humanofobia... Devo estar sofrendo disso... Sinto saudade de ser eu de antes. De ser besta e sentimentalóide. Com aquele enorme esforço de não deixar a ninhada se dispersar... Com aquela preocupação 24h por dia sobre o todo... Queria ser mais assim, queria ter mais força de vontade. Mas eu não posso mais. Eu não consigo mais... Por que?


Shakira - Sombra de Ti

do álbum "Dónde Están Los Ladrones?"

sábado, 3 de outubro de 2009

Manicomial

Não esperava dormir sozinho hoje à noite, na minha última noite... Não esperava chegar ao fim do meu dia estraçalhado, derrotado... Não esperava jamais que você me machucasse, jamais! Não contava que as minhas forças agora são suas e só suas. Eu perdi o controle sobre o todo, perdi completamente as rédeas desta história que eu espero que tenha um final feliz, juro que espero!

Estou nu em pêlos, com a alma despida e a cara preparada para levar os tapas, para sucumbir as sua taras, mas você não... será que algum dia você esteve? Será que toda essa incerteza é só mais uma viagem dessa minha histeria descontrolada? Talvez, apenas talvez, eu possa estar inebriado pela sua companhia. Talvez, mas apenas talvez, eu já tenha entregado mais do que eu esperava e talvez, quase que certeza, você já levou meu coração com o melhor de mim e eu estava dormindo... Nem percebi...

Eu estava dormindo, você estava acordado, eu estava sonhando, você esteve acordado. Eu não era mais eu, você... ah, você... era apenas a sombra do que eu pensei que fosse. Você era mais um dos personagens voltando novamente para a minha vida... para me surpreender e me capturar. Ah, como eu senti sua falta, sabia? Eu não sabia!

Não queria, não podia, eu não sentia mais nada, não sabia que ainda sabia sentir e me desvirtuar daqueles caminhos tão certos, agora tão tortuosos, que me fazem sentir tão embaraçado e cheio... Cheio de sentimentos incoerentes, sentindo o oposto daquilo que eu temia e afastava pra longe... Eu não, não queria!

Prostitui-me diversas vezes prostrado no absurdo, por tão pouco não me reconhecia... Eu acordava molhado de suor e gozo pelo corpo e vestes e chegava em casa na velocidade de uma bala... Escovava os dentes, tomava banho, pingava colírio e fingia ser uma pessoa melhor. Eu pendia para o pior, você sempre soube, você não fez nada.

Eu lhe pedi várias vezes, deixei pistas no seu armário, nas suas calças e em toda a sua demência. Você sempre adormecia, sempre me amarrava para me comer com unhas e dentes na manhã seguinte. Eu já não gritava, não expressava, não ansiava mais por nada... Ora, eu havia me acostumado a ser o seu brinquedinho vulgar... Mesmo sem saber se estava correspondendo as suas expectativas, mas eu gostava de pensar que sim, que sim pelo menos uma vez. Pensar positivamente como se isso fosse afastar todos os problemas e me levar para um lugar comum.

Eu repeti, eu escandalizei, eu lhe implorei que não fosse. Implorei para que ficasse comigo, para que fôssemos nós e não apenas você ou eles... Vendi-me por um pouco de adrenalina e sentei para ver, paguei por ser assim. Por não ter um preço fixo e por procurar sempre quem podia pagar mais... Por quem podia ser mais útil para ocupar os meus espaços vazios e assim, quem sabe, dormir um sono tranqüilo ao invés de ficar acordado.

Você sabe que está com o poder nas mãos... Faz eu me sentir mais desesperado. Faz com que eu roa as unhas e o sangue sem pestanejar... Invade meus sonhos, escarra no meu sexo para depois me tomar como seu... Novamente seu, você sabe, apenas seu. Você gosta! Eu gosto, quem não gosta? Quem não sente? Eu sinto, eu embarco, eu escarneço mas olhando sempre para os lados com um fio de medo. Eu não sei mais o que faço, só sei que seu sorriso me hipnotiza e as suas mãos encaixam no molde exato das minhas. Nessa hora eu esqueço todo o emaranhado, toda a parte difícil e volto abanando meu rabo para você. Você sabe e você gosta! Quem não gosta? Quem não sente?
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Handreh




Eu amo esse texto. Amo!Justificar Por isso resolvi postá-lo mais uma vez.

Maria Bethânia - É de Manhã.
Queria ver um show dessa mulher, queria mesmo.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Curriculum Vitae

Eu já dei risada até a barriga doer, já nadei até perder o fôlego, já chorei até dormir e acordei com o rosto desfigurado. Já fiz uinha na minha irmã só pra ela parar de chorar, já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já conversei com o espelho e até já brinquei de ser bruxo. Já quis ser violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora. Já passei trote por telefone, já tomei banho de chuva e acabei me viciando.

Já roubei beijo, Já fiz confissões antes de dormir num quarto escuro pro melhor amigo. Já confundi sentimentos, peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, já me cortei fazendo a barba apressado e já chorei ouvindo música no ônibus. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer. Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas, já subi em árvore pra roubar fruta, já caí da escada de bunda. Conheci a morte de perto e agora anseio por viver cada dia.

Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sentado no chão do banheiro, já fugi de casa pra sempre e voltei no outro instante. Já saí pra caminhar sem rumo, sem nada na cabeça, ouvindo estrelas. Já corri pra não deixar alguém chorando, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar, já bebi uísque até sentir os meus lábios dormentes, já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.

Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade. Já deitei na grama de madrugada e vi a lua virar sol, já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.

Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção guardados num baú chamado coração. E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: "- Qual sua experiência?", essa pergunta ecoa no meu cérebro.
"Experiência...experiência...", será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência? Não!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!
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Eu tenho esse texto há anos guardado no meu pc. É da época do começo da minha adolescência. Achava tão lindo e, como todos os meus documentos são uma bagunça e possuo uma infinidade de pastas, nunca mais o tinha visto. Mas hoje, por acaso, eu o achei... lembrei dia desses e até pensei que não tinha mais... a linguagem é simples, bem adolescente e objetiva... eu gosto... poderia estar com uma escrita melhor, mas desse jeito já está ótimo. Pena que não sei o nome do autor, mas é isso. É muito fácil de se identificar.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Meus parabéns myself

E mais uma vez eu espero a chegada da data de hoje. Esse ano foi diferente, em alguns dias eu cheguei até a esquecer, porque geralmente começo a contagem um mês antes e fico ansioso. E fico com cara de cu e fico feliz e vou alternando até chegar o "grande dia". Eu sempre tenho o sentimento que muitas coisas vão acontecer e todas só neste dia. Fico arquitetando, pensando que vou ao trabalho, vou receber parabéns... bolinho... vou chegar a noite em casa para jantar, tomar banho e ir para e passar pelo mesmo processo.

Só não sei ainda o que vai acontecer na madruga, se vai dar certo mesmo ir a festa da Semana da Diversidade, se eu vou me divertir ou se vou passar a noite esperando o telefone tocar, com medo de quem ainda não ligou esquecer. Queria que todo mundo fosse. Fico me imaginando na pista de dança morrendo de pular, ao som de uma música que eu saiba a letra e ao meu redor todo mundo. Todo ano é a mesma coisa, os mesmos desejos, os mesmos medos. A vontade de sair e vontade de ficar em casa. O medo de me arrepender de ficar em casa e ter de esperar pelo próximo ano e o medo de ficar decepcionado se as coisas não correrem hoje como eu quero. Ser virginiano é foda... e imagina com ascendente em escorpião, uhmm.

Queria acordar, me olhar no espelho e me achar a pessoa mais comestível da face da terra. Queria roupa nova, ser o centro das atenções... só por hoje. Presentes não, não faço questão MESMO. Meu presente é algo insubstituível, que é a presença das pessoas que eu amo. Os abraços, recontar histórias... lembrar... morrer de rir. Chegar bêbado de manhã de felicidade. Ganhar beijinho, massagem, peito para dormir... ai, ai. Como é difícil esse dia para mim e como SEMPRE vai ser.

Queria só hoje não me sentir miserável e não ficar remoendo coisas antes de dormir. Pensando que eu poderia ser uma pessoa melhor, que a partir de amanhã vou mudar uma série de comportamentos e que, enfim, vou ser uma pessoa melhor. Não queria me encomodar tanto comigo mesmo, não queria sentir arrependimento e nem medo de não ser mais querido. O tempo passa, passa e parece que eu ainda sou um adolescentezinho medroso. Esse sou eu, né... fazer o que? Pois bem, vou dormir meu soninho de beleza e vou acordar para o dia mais feliz da minha vida. O dia em que os sonhos vão se realizar, que o celular não vai parar de tocar e ainda o dia em que eu vou ver todo mundo reunido só pela minha causa. Eu sou egoísta, por que não?